Por muito tempo, acreditou-se que apenas longas sessões de exercício eram capazes de promover benefícios significativos para o cérebro.
Essa ideia, no entanto, vem sendo derrubada por uma enxurrada de evidências científicas que apontam na direção oposta: poucos minutos de atividade física já são suficientes para gerar impactos positivos e mensuráveis em funções cognitivas essenciais.
E quando falamos de um esporte que combina esforço aeróbico, tomada de decisão constante e interação social, o tênis surge como uma das ferramentas mais poderosas para estimular o cérebro.
Estudos recentes mostram que menos de meia hora em quadra por dia pode ser o suficiente para melhorar sua memória e atenção, sua capacidade de planejamento e até mesmo sua velocidade de processamento de informações. Acompanhe!
O que a ciência diz sobre exercício e cognição?
Menos de 30 minutos de aulas de tênis já fazem diferença
Uma revisão de estudos publicada em 2025 na revista Communications Psychology, do grupo Nature, trouxe um achado surpreendente: sessões de exercício com duração inferior a 30 minutos produzem efeitos cognitivos mais significativos do que treinos mais longos.
Os pesquisadores da Universidade da Califórnia em Santa Barbara analisaram 113 trabalhos científicos publicados entre 1995 e 2023, envolvendo 4.390 pessoas com idades entre 18 e 45 anos.
A conclusão foi clara: uma única sessão de exercício já é capaz de aprimorar diversas funções cognitivas, com destaque para a memória e atenção, o processamento de informações e a função executiva — aquela ligada ao planejamento e à execução de tarefas.
O estudo revelou ainda que atividades vigorosas têm os maiores efeitos sobre o cérebro, e o treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT) apresentou os resultados mais consistentes. O tênis, por sua própria natureza, é um esporte de intensidade intermitente — exatamente o padrão que a ciência aponta como o mais benéfico para a cognição.
Arranques explosivos, paradas bruscas, mudanças de direção e golpes precisos alternam momentos de esforço máximo com breves pausas de recuperação, criando um estímulo cerebral que poucos outros esportes conseguem replicar.
Os mecanismos por trás desses benefícios são fascinantes. Uma sessão de exercícios desencadeia uma cascata de reações químicas no cérebro, incluindo o aumento da síntese de neurotransmissores como dopamina (associada ao prazer e à motivação), acetilcolina (reguladora da memória e atenção, do aprendizado e do sono) e GABA (que tem efeito relaxante).
Além disso, os fatores neurotróficos — substâncias que atuam na sobrevivência e no desenvolvimento de células do sistema nervoso — também são estimulados. Em outras palavras, cada partida de tênis é um verdadeiro “treino cerebral” que começa a surtir efeito em poucos minutos.
Para quem mora em Belo Horizonte, a boa notícia é que a cidade oferece diversas opções para quem deseja começar. Uma aula de tênis em Belo Horizonte pode ser o primeiro passo para estimular sua memória e atenção e colher os benefícios cognitivos que a ciência já comprovou.
Mais de 200 mil participantes comprovam o benefício em todas as idades
Se a revisão da Universidade da Califórnia já era impressionante, um estudo ainda mais abrangente consolidou de vez a relação entre exercício e cognição. Conduzida por pesquisadores da Universidade do Sul da Austrália e publicada no British Medical Journal, uma ampla revisão analisou 133 trabalhos científicos que envolveram mais de 200 mil participantes. A conclusão foi taxativa: praticar qualquer tipo de atividade física — independentemente da intensidade, idade ou condição de saúde — contribui para melhorar as funções cognitivas, como memória, atenção e raciocínio.
Os resultados comprovaram benefícios inclusive com atividades de intensidade baixa ou moderada, que podem aparecer em um período de um a três meses. Modalidades como ioga e tai chi chuan tiveram maior impacto em memória, mas o tênis se destaca por combinar o estímulo aeróbico com uma demanda cognitiva constante. Como explica o profissional de educação física Brendo Faria Martins, do Hospital Israelita Einstein, “do ponto de vista fisiológico, o exercício estimula a liberação de substâncias como o BDNF (Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro), que favorecem a neuroplasticidade, o crescimento de novas conexões entre neurônios e o aumento da vascularização cerebral”.
Em termos cognitivos, muitas modalidades exigem atenção, tomada de decisão, memorização de movimentos e coordenação motora. E essa demanda cognitiva durante a prática parece potencializar os efeitos do exercício sobre o cérebro, contribuindo para melhorias mais consistentes. “Não é apenas o corpo que está ativo — o cérebro também é estimulado durante esses tipos de atividades”, diz Faria. O tênis, com sua dinâmica imprevisível e sua exigência de estratégia em tempo real, é um exemplo perfeito dessa sinergia entre corpo e mente.
Por que o tênis potencializa os efeitos na memória e atenção?
A combinação de exercício aeróbico e demanda cognitiva
O tênis não é um esporte linear. Cada ponto é um quebra-cabeça que precisa ser resolvido em frações de segundo: onde colocar a bola, como antecipar o movimento do adversário, qual golpe usar em cada situação. Essa complexidade torna o tênis um exercício cognitivo tão intenso quanto físico. Estudos mostram que esportes que combinam esforço aeróbico com tomada de decisão constante tendem a produzir benefícios superiores para a memória e atenção do que atividades isoladas e repetitivas, como a corrida em esteira.
A necessidade de atenção sustentada durante uma partida — monitorando a posição do adversário, a trajetória da bola e o próprio posicionamento na quadra — treina o cérebro para manter o foco por períodos prolongados. Ao mesmo tempo, a memória de trabalho é constantemente acionada: o jogador precisa lembrar dos padrões de jogo do oponente, das próprias estratégias e dos ajustes táticos feitos ao longo da partida. Esse duplo estímulo — aeróbico e cognitivo — cria um ambiente ideal para a neuroplasticidade, ou seja, a capacidade do cérebro de formar novas conexões neurais.
Estudos com praticantes de esportes com raquete demonstraram que eles apresentam tempos de reação mais rápidos e melhor desempenho em tarefas de atenção visuoespacial e memória do que não atletas. Outras pesquisas sugerem uma associação entre a prática do tênis e melhores capacidades cognitivas, em particular funções executivas como controle inibitório, memória de trabalho e flexibilidade cognitiva. O tênis, portanto, não é apenas um exercício para o corpo — é um treino completo para o cérebro.
O efeito acumulativo da prática regular
Os benefícios do tênis para a memória e atenção não são apenas imediatos; eles se acumulam com a prática regular. A revisão com mais de 200 mil participantes mostrou que os ganhos cognitivos podem aparecer em um período de um a três meses de atividade consistente. Com o tempo, o cérebro se adapta ao estímulo, criando novas conexões neurais e fortalecendo as já existentes. Esse processo, conhecido como neuroplasticidade, é a base para a manutenção da saúde cognitiva ao longo da vida.
A prática regular do tênis também atua na prevenção do declínio cognitivo associado ao envelhecimento. Estudos mostram que o exercício aeróbico pode aumentar o volume do hipocampo — a região do cérebro essencial para a memória — em 1 a 2% em idosos, além de melhorar as pontuações em funções executivas em 5 a 10%. O treino de força, presente nos movimentos do tênis, também contribui, com melhorias na memória e no controle cognitivo de 12 a 18% em idosos.
Para adultos na faixa etária de 18 a 45 anos — grupo frequentemente negligenciado em estudos sobre cognição — os benefícios são igualmente significativos. Adultos são os mais afetados por fatores como estresse, ansiedade e diminuição do sono, gerados por múltiplas tarefas envolvendo trabalho, estudo e filhos, o que pode gerar prejuízos cognitivos. O tênis surge como uma válvula de escape que, em menos de 30 minutos por dia, pode reverter parte desse dano e melhorar a memória e atenção de forma mensurável.
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